Toda pilantra merece o mal que recebe. E com Pamela não ia ser diferente. Depois de roubar o marido de Judite, Ernesto, ela agora ia pagar pelo que fez. A idéia veio às 16:47, assistindo esses programas de barraco em plena Tv. A legenda dizia: Mulher traída manda raspar cabeça de amante. Sim, genial. Judite resolveu fazer o mesmo. Era o seu tão esperado acerto de contas.
Foram 8 dias até Judite decidir tomar tal decisão. Aquele caso a fez pensar bastante. Seria certo? As amigas alcoviteiras diziam que sim. "Vai, Judite, coragem! Essa bandida merece pelo que fez. Levou teu marido e agora quem anda pra cima e pra baixo no carro dele é ela. A discarada ainda dá uma de posuda". A discarada merecia mesmo. Ordinária, safada, pilantra. Agora ela ia saber com quem mexeu. Agora ela ia pagar por ter ligado às 3h da manhã pra Judite dizendo que tava forfando com o dinheiro do marido dela. As memórias foram suficientemente necessárias para justificar o que Judite iria fazer. Afinal de contas, pensou, maldade só é maldade quando é contra gente de bem. No fundo não acreditava nisso, mas a raiva lhe bastava pra achar a situação cabível.
Na vespéra de sexta-feira Judite contratou dois moleques de rua para executar sua vingança."A moça é assim, assim e assim", explicava gesticulando. "Mora na rua tal e vive com um homem feio da barriga grande de cachaça. Vocês irão saber assim que a ver". Na mesma tarde os moleques executaram o plano. Agora estava feito. Desconsolada, Pamela chegou em casa e nem coragem tinha de se olhar no espelho. Ernesto estava tão bêbado que sequer notou. Ah, mas com certeza iria notar no outro dia.
Ao acordar Judite se sentiu culpada. Não deveria ter feito o que fez. Mas tal sentimento logo passou ao pensar em tudo que a desgramada a fez passar. Ela merecia. "Agora eu quero ver, bandida, tu roubar mais marido de ninguém". Só faltava Ernesto, ele que se prepare!